Andar de Balão de Ar Quente no Alentejo

Em 2017 risquei um dos pontos da minha bucket list. Corria o mês de Novembro, que trouxe consigo, mais uma vez, a edição anual do Festival Internacional de Balões de Ar Quente. Nas edições anteriores a experiência estava aberta ao público sem qualquer pagamento associado, mas nesse ano, após os incêndios que devastaram o nosso país, a organização decidiu que o pagamento seria em forma de donativo para os Bombeiros locais.
 

 

Andar de Balão de Ar Quente no Alentejo

Todos os dias o festival decorria numa vila diferente no Alto Alentejo. Juntei dois amigos e rumamos a Fronteira no dia anterior. Os voos eram bi-diários e nós queríamos ir ao da manhã, por ser mais simples em termos logísticos.
 
Era ainda de noite quando chegámos ao local e um frio cortante obrigou-nos a esperar no quente do carro. O dia raiou enquanto observáva-mos a chegada e montagem dos cestos das dezenas de balões que iriam rumar aos céus nessa manhã.
 
Aos poucos a organização foi chamando grupos de 2, 3 ou 4, consoante a lotação de cada balão. Calhou-nos os Globos Arco Irís, um grupo espanhol muito divertido. Ajudámos nos tramites finais da montagem do dito globo (nome espanhol para balão de ar quente), e emocionantemente, vimos o balão gigante ganhar forma no terreno à nossa frente! Era o momento de subir para o cesto e este tinha de ser rápido ao mesmo tempo que o ar dentro do balão o ia afastando do solo em direcção ao céu.
 
 
Num segundo, o cesto largou o chão. Estávamos finalmente no ar! Suavemente, o balão foi subindo e subindo à medida que a vila de Fronteira ia ficando cada vez mais pequena. A sensação de estar a voar, com a brisa do ar a tocar-me a pele, foi das sensações mais libertantes que já tinha experimentado. A planície alentejana crescia aos nossos pés ao mesmo tempo que mais balões ia largando o solo e acompanhando a nossa viagem. Fomos dos primeiros a subir, o que nos forneceu uma vista priveligiada sobre o aparecimento dos outros balões no céu. Eram de todas as cores e tamanhos. Começámos a descer pouco a pouco, porque o vento estava a fraquejar e, perto do solo, sobre os ramos de oliveira que roçavam o chão do nosso cesto, fomos subindo uma colina, para de novo voltarmos aos céus.
 
Connosco no balão ia apenas o piloto. O resto do grupo ia na carrinha pelas estradas a prever onde iríamos aterrar para, no final da viagem, nos apanharem e regressarmos à vila. Chamavam-se a equipa de resgate.
 
Continuámos a subir e a subir e a afastar-nos mais e mais da vila para oeste. Não sei quanto tempo passou, mas sentia que para mim o tempo tinha parado lá em cima. Olhava em volta e tudo era azul. Olhava para baixo e os mais diversos tons de verde e castanho jutavam-se na tela magnífica que era aquela planície alentejana. Raramente sob os nossos pés, a imagem era cortada por pequenas quintas com animais e pequenas lagoas feitas oásis no meio das plantações de oliveiras.
 
 
Fomos perdendo de vista os outros balões e era tempo de voltar a assentar os pés na terra. Não queria nada! Queria manter aquele voo eterno e a liberdade dos meus pensamentos também, naqueles céus, longe da realidade. Aos poucos o balão foi perdendo altitude e o chão aproxima-se rapidamente, passámos sobre uma estrada em direcção a um descampado, já antes sinalizado pelo piloto desde os céus. Com um pequeno embate, atingimos o chão enquanto dávamos a nossa localização ao resgate. Tinha acabado! Não o queria!
 
Ajudámos a desmontar e guardar o balão e o cesto e rumámos de volta á vila. Não tinha ideia de que estivessemos tão longe! Nos céus as distâncias parecem mais escassas.
 
Este ano ainda não sei se o festival se irá realizar, devido à pademia, mas podem seguir a página do Facebook e o Site para informações mais actualizadas.
 

A saber

Localização: conselho de Ponte de Sor
 
Data: habitualmente na primeira quinzena de Novembro
 
Dicas: Estejam atentos às redes sociais e notícias no mês anterior ao festival
 
Se for necessária inscrição, façam-no com antecedência, esgota com rapidez.

PARTILHA NAS TUAS REDES

BIA DRUMOND DIAS

Viajante de coração e sonhadora de profissão, estou sempre à procura da próxima aventura. Já conheci mais de 15 países, muitos deles durante o ano em que trabalhei como Assitente de Bordo. Agora aspiro voos mais terra a terra com os habitantes do mundo inteiro!

LÊ MAIS